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23/01/2008

João Paulo de Jesus Lopes

             

 

Paulistano, 59 anos, Engenheiro Civil, casado há 30 anos com a sãopaulina Dª. Ana Luiza. Filho (também sãopaulino) João Paulinho e neto (sãopaulino é claro) Rafael.

João Paulo de Jesus Lopes é secretário Adjunto dos Transportes Metropolitanos e assessor especial da presidência do São Paulo. Engenheiro Civil, é casado com Ana Luiza e se orgulha de ter o filho João Paulinho e o neto Rafael são-paulinos.
João Paulo tem 59 anos e já exerceu funções de assessor do governador Laudo Natel entre 73 e 74, gerente de Projetos do Banco de Desenvolvimento de São Paulo entre 74 e 82 e foi vice-presidente da holding do Grupo Abril – CLC de 82 até 2000.

O secretário adjunto dos Transportes Metropolitanos ingressou no São Paulo em 1979, trazido pelo ex-governador Laudo Natel. Foi diretor adjunto de Futebol Profissional de 1980 a 1990 e conselheito eleito entre 86 e 90. Depois de um certo afastamento, retornou ao clube em 2002, após a vitória do grupo político do presidente Juvenal Juvêncio. A partir de então foi diretor Financeiro, diretor de Planejamento e de Futebol Profissional. Ele teve que deixar o cargo em virtude de ter assumido a função que ocupa atualmente no governo do Estado. Mas permaneceu como assessor especial da presidência para assuntos do futebol profissional.
Nesta entrevista, falamos de atualidade e da história do São Paulo. E João Paulo de Jesus Lopes se orgulha de enumerar os títulos conquistados durante o tempo em que foi dirigente:
- Campeão Paulista de 1980, 1981, 1985, 1987, 1989, 2002 (supercampeão) e 2005;
- Campeão Brasileiro de 1986, 2006 e 2007;
- Campeão da Copa Libertadores de 2005;
Campeão Mundial de 2005.

Vamos a entrevista:

TNW - Qual a impressão que ficou de Adriano nestes primeiros dias como jogador do São Paulo, depois das baladas e do acidente no Rio de Janeiro?

JPJL - Como já declarei em várias oportunidades, entendo que, em período de férias, qualquer jogador deve ter liberdade para se divertir e relaxar, obviamente dentro de um patamar moderado. Isso se aplica também ao Adriano. Por todas as informações que obtivemos, em nenhum momento o jogador ultrapassou a limitação esperada. No que se refere ao acidente automobilístico foi constatado que o jogador não deu causa a ele, o que, portanto pode acontecer a qualquer um. Futebolisticamente, após os dois primeiros jogos do São Paulo, temos convicção que a contratação foi acertada e que provavelmente dará grandes alegrias à nossa torcida.

TNW - Para ele ficar, ficou condicionada a transferência de Hernanes para a Inter no meio do ano?

JPJL - Não há nenhum fundamento nesse boato. Não há nenhum condicionamento, nem com Hernanes, nem com qualquer outro atleta.

TNW - Falou-se em muitos nomes que estariam vindo. Alguns já foram descartados. Como está a situação de Cicinho, que teria ligado a Milton Cruz e pedido para voltar?

JPJL - Realmente, o Cicinho conversou com o Milton Cruz sobre um possível retorno e é claro que confirmamos o nosso interesse, porém, não houve nenhuma possibilidade prática de viabilizá-la com o seu Clube, em função da questão financeira.

TNW -  E Diego Souza, do Benfica?

JPJL - O São Paulo nunca negou seu interesse no jogador, porém os valores pretendidos pelo Benfica estavam completamente fora da nossa política. Outro clube viabilizou financeiramente a transferência, graças à sua parceria, entendendo recuperar seu investimento em uma futura transferência. A verdade é que os clubes e parcerias se alternam, sempre com muito dinheiro, mas quem tem tido sucesso repetidamente em títulos e negociações tem sido sempre o São Paulo e sua rígida política financeira.

TNW - E Fábio Santos, do Lyon?

 JPJL - Após algumas dificuldades e outras tentativas anteriores, desta vez  conseguimos viabilizar sua vinda. Acredito que tão logo se entrose e recupere sua forma física ideal, será um importante reforço na campanha da Libertadores deste ano.

TNW - Também está sendo falado o nome de Diogo, da Portuguesa. Quais as chances?

JPJL - Remotas. É um excelente jogador e temos interesse nele, mas a Portuguesa está valorizando muito sua transferência e, também, do lateral esquerdo Leonardo, e pelas mesmas razões que expus em relação ao Diego Souza, vejo muita dificuldade nas aquisições.

TNW - O São Paulo quer vender o Souza?

JPJL - Não há nenhum interesse do São Paulo nessa negociação, até pelo fato do Clube deter porcentual menor dos direitos comerciais. O próprio jogador tem declarado ao Presidente Juvenal Juvêncio que prefere continuar no Clube. O que há, são especulações por parte de terceiros-interessados, notadamente empresários, que, detentores da maior parte dos direitos comerciais do jogador, teriam um benefício financeiro muito substantivo em caso de negociação.

Agora vamos passar para a história do São Paulo.

TNW -  Desde quando o senhor torce pelo São Paulo?

JPJL - Sempre fui sãopaulino, influenciado pelo meu pai, já falecido, sócio do São Paulo desde 1942.

TNW - O senhor costuma ir ao estádio?

JPJL - Quando criança ia com meu pai e lembro-me de um dos primeiros jogos que assisti, no Pacaembu, em 1957, quando, após uma maravilhosa vitória de 3 a 1 sobre o Corinthians, o São Paulo sagrou-se Campeão Paulista de 1957.

TNW - Qual o melhor time do São Paulo que o senhor viu jogar?

JPJL - Esse time de 1957 era espetacular, pois além de ser uma máquina de jogar futebol, que de certa forma influenciou o futebol brasileiro campeão mundial em 1958, tinha monstros sagrados como Poy, De Sordi, Mauro, Maurinho, Zizinho, o incomparável Canhoteiro e o melhor técnico do São Paulo de todos os tempos, o húngaro Bela Gutman. Outros grandes times foram o de 1970-71, com Forlan, Gerson e Pedro Rocha. Os chamados Menudos de 1985-87, com Careca, Pita, Silas, Muller e Cia. e o São Paulo Campeão da Libertadores e Mundial de 2005, que todos se recordam.

TNW - Qual foi a última partida que o senhor assistiu no Morumbi?

JPJL - A mais recente foi neste domingo São Paulo 1 x Rio Preto 0.

TNW - Qual foi o jogo que mais marcou em sua vida, aquele jogo que você não vai esquecer jamais?

JPJL - Alguns jogos me marcaram e considero inesquecíveis: Aqueles 3 x 1 sobre o Corinthians em 1957 de que já falei. Um 4 x1 sobre o Santos em 1963, em que o time praiano, com Pelé e tudo, fugiu de campo. Um 3 x 1 sobre o River Plate em Buenos Aires, em 2005, que nos abriu o caminho para conquistarmos a Libertadores e depois o Mundial. E o 1 x 0 sobre o Liverpool em Yokohama que nos deu o Tricampeonato Mundial em 2005. Acho que houve outros importantes, mas não são inesquecíveis, tanto que estou esquecendo neste momento...

TNW - O senhor estava presente nestes jogos?

JPJL - Em todos. Nos 4 x 1 sobre o Santos, em 1963, lembro até da renda: Cr$ 19.950.000,00.

TNW - Qual o título mais importante que o São Paulo ganhou, em sua opinião?

JPJL - Acho que foi um que eu não vi, porque ainda não tinha nascido: o de 1943, que foi o primeiro Campeonato Paulista após sua fundação em 1935. Foi o título apelidado de “o do ano em que a moeda caiu em pé”. Era um time espetacular em que sobressaia o fabuloso Leônidas da Silva. Consolidou o São Paulo como time grande, que a partir daí passou a crescer muito e ser bastante respeitado, possibilitando que chegássemos ao que somos hoje.

TNW - Faça uma Seleção do São Paulo de todos os tempos, do goleiro ao ponta-esquerda. A composição tática fica por sua conta.

JPJL - É muito difícil. Lembre-se que o São Paulo é o clube brasileiro que mais forneceu (e fornece) jogadores à Seleção Nacional. Ressalvo, entretanto, a grandeza de outros craques que não vi jogar e sei que foram “feras”. Vamos lá:

Goleiro: Rogério Ceni – menção honrosa: José Poy.
Lateral-Direito: Pablo Forlan – menção honrosa: De Sordi.
Zagueiro-Central: Mauro Ramos de Oliveira – menção honrosa: Oscar Bernardi.
Quarto-Zagueiro: Roberto Dias – menção honrosa: Darío Pereyra.
Lateral-Esquerdo: Leonardo – menção honrosa:.Riberto.
Médio-Volante: Chicão – menção honrosa: Dino Sani.
Meio-Campo: Pedro Rocha – menção honrosa: Pita
Ponta-Direita: Maurinho – menção honrosa: Terto
Centro Avante: Careca – menção honrosa: Leônidas (que não vi jogar, mas acredito em tudo que dizem sobre ele).
Meia-Esquerda: Gerson – menção honrosa: Zizinho.
Ponta-Esquerda: Canhoteiro – menções honrosas: Paraná e Zé Sérgio.
Técnico: Bela Gutman – menções honrosas: Feola, Cilinho e Paulo Autuori.

(Esses times seriam certamente vencedores com qualquer configuração tática).

TNW - Qual o seu maior ídolo entre os jogadores do Tricolor em toda a história?

JPJL - Sem nenhuma dúvida, José Ribamar de Oliveira, o Canhoteiro, para mim o maior jogador do São Paulo de todos os tempos e que, juntamente com Garrincha e Pelé, são provavelmente os três maiores gênios da história do futebol brasileiro.

TNW - O senhor é, atualmente, Assessor Especial da Presidência do São Paulo. Como é sua participação na vida do clube?

JPJL - Continuo ligado ao futebol, por designação do presidente Juvenal Juvêncio. Tenho participado de missões especificas, como algumas contratações e negociações de interesse do Departamento de Futebol, não só de jogadores, mas também de direitos de TV, Clube dos 13, FPF, etc.. A pedido do presidente Juvenal, negociei com o presidente da Reebok a renovação do patrocínio do material esportivo, e conseguimos mais que dobrar a quota anual, de R$7 milhões/ano para R$15milhões/ano.

TNW - Acompanha o noticiário de algum esporte amador do São Paulo?

JPJL - Acompanho em geral.

TNW - Este ano ganhamos o Título Brasileiro. Somos pentacampeões. O que o senhor espera em termos de títulos para o próximo ano?

JPJL - Obviamente espero um ano com muito sucesso, começando pela conquista da Libertadores 2008. Me agradaria muito a conquista das demais competições que disputaremos: Paulista, Sulamericana, Hexa Brasileiro e Tetra Mundial. Esperemos.

TNW - Deixe uma mensagem aos jogadores e torcedores do São Paulo.

JPJL - Acho que a torcida do São Paulo tem um perfil extremamente exigente, por entender ser o sãopaulino um torcedor diferenciado. Concordo e acho isso muito bom, pois seu apoio tem sido maciço e fundamental nos momentos decisivos. Desde 2004, quando voltamos a participar da Libertadores, nossa média de público no Morumbi tem sido da ordem de 50 mil torcedores por jogo, o que nos dá muita força em campo e nos torna quase imbatíveis. Nossos atletas têm consciência disso e têm sempre a expectativa de casa cheia. Ao agradecer todo esse apoio, quero solicitar que o incentivo continue neste ano para que permaneçamos sendo fortíssimos. Aos jogadores peço apenas que continuem seguindo o que pedimos a todos eles: Empenho, determinação e disciplina. Talento eles têm. Preparo é obrigação nossa.